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Parto Domiciliar

Entendendo o Parto Domiciliar

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4003-1994

O que é um Parto Domiciliar?

A procura pelo parto domiciliar tem sido cada vez mais frequente entre casais que desejam viver a experiência de parto humanizado, respeitando o protagonismo da mulher e as suas escolhas para o nascimento do filho que vai chegar. A filosofia do parto em casa remonta uma velha tradição vivida pelas nossas ancestrais, quando o parto era realizado por parteiras e na presença de mulheres que pertenciam ao núcleo familiar, comunidade ou de convivência da parturiente. Dessa forma, prevaleciam-se o respeito pelo momento de dar a luz, enquanto evento biológico e fisiológico. E para isso, eram utilizadas técnicas e saberes baseados nas experiências das parteiras, respeitando as especificidades de cada parto e o acolhimento a parturiente. Uma relação intrínseca entre conhecimentos tradicionais, práticas e saberes que são repassados até hoje para as novas gerações de parteiras.

A modernidade chegou e com ela o desenvolvimento técnico-científico institucionalizou o novo cenário do parto e do nascimento. Esse modelo de parto tutelado pelo hospital e centrado na figura do médico implicou na perda do protagonismo e poder de decisão da mulher sobre o próprio corpo.

É fato que o parto é um evento imprevisível, independente do local onde ele aconteça. Porém, os avanços da sociedade moderna trouxeram instrumentos significativos na assistência ao parto, tais como as técnicas obstétricas, aparelhos e equipamentos que permitiram nos casos de emergências a preservação da vida de mãe e bebê.

No entanto, essa mudança de paradigma trazida pela modernidade na assistência ao parto criou generalizações, afetando o atendimento no que diz respeito ao parir e ao nascimento. Procedimentos e protocolos que deveriam ser limitados a determinadas situações em que mãe e bebê realmente necessitassem foram transformados em praticas rotineiras, sem levar em consideração as especificidades e avaliações individualizadas. Como efeito, vivemos um cenário obstétrico que tem provocado marcas profundas as experiências de parto; levando mulheres a vivenciarem intervenções totalmente desnecessárias e desatualizadas, em contraposição as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para entendermos esse cenário e sua complexidade, em 1993, em Campinas, foi fundada a Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento (Rehuna), que atualmente congrega centenas de participantes, entre indivíduos e instituições. A “Carta de Campinas”, documento fundador da Rehuna, denuncia as circunstâncias de violência e constrangimento em que se dá a assistência, especialmente as condições pouco humanas a que são submetidas mulheres e crianças no momento do nascimento. Considera também que, no parto vaginal, a violência da imposição de rotinas, da posição de parto e das interferências obstétricas desnecessárias, perturbam e inibem o desencadeamento natural dos mecanismos fisiológicos do parto. Dessa forma, o ato de parir passa a ser sinônimo de patologia e de intervenção médica, transformando-se em uma experiência de terror, impotência, alienação e dor. Logo, não surpreende que muitas mulheres optem pela cesárea como melhor forma de dar à luz, sem medo, sem risco e sem dor”. (DINIZ, 2005)

Nesse cenário, o documentário “O Renascimento do Parto” (filme de Eduardo Chauvet e Érica de Paula) tem contribuído, sobremaneira, para o acesso a questões inerentes a assistência ao parto e violência obstétrica, além de levantar discussões que desmitificam o parto normal enquanto um evento marcado pela dor e sofrimento. Devolvendo as mulheres o protagonismo do parir, ressignificando o nascimento como um evento natural e fisiológico, capaz de repercutir positivamente num modelo de sociedade nascida sob o efeito da ocitocina – o hormônio do amor – presente naturalmente no trabalho de parto.

Sendo assim, muitos elementos sobre a humanização do parto foram se interligando, no que conhecemos hoje como o desejo de um parto natural. E parir em casa tem sido sinônimo de marcar esse lugar por direito pelo respeito a uma experiência de parto sem intervenções desnecessárias, tanto com a mãe quanto com o bebê. O parto em casa remonta a segurança, acolhimento e o lugar de poder da mulher.

A atmosfera do parto em casa tem como principais características a escolha das pessoas com quem a gestante deseja compartilhar essa experiência, a familiaridade com os cheiros, receber o bebê em seu próprio lar, o direito de se movimentar, se alimentar e assumir posições favoráveis ao parto e ter acesso ao filho assim que nasce. Também é vantajoso pois permite o planejamento de como seu bebê vai ser recebido no mundo aqui fora, a exemplo da:  iluminação baixa, contato pele a pele, a chamada “hora de ouro” (que favorece a amamentação), os benefícios do clampeamento tardio do cordão umbilical e a possibilidade de proporcionar uma transição mais tranquila e respeitosa para o bebê que acabou de nascer.

Além do mais, estudos científicos comprovam que o parto domiciliar para mulheres de baixo risco é tão seguro quanto no ambiente hospitalar. No entanto, se faz necessário que o parto em casa seja planejado e envolva uma equipe multidisciplinar. E essa equipe deve ser composta por profissionais qualificados, desde Doula, Enfermeira Obstetriz e um médico(a) obstetra como back-up, caso haja intercorrência. É importante ressaltar que o casal que deseja ter parto em casa deve traçar um plano de transferência para o hospital ou maternidade junto a sua equipe. Deste modo, a equipe levará em consideração o tempo de deslocamento a maternidade. A instituição precisa ser avisada antecipadamente para o caso de haver transferência de emergência.

Autoria: Mãe e Doula Eliene Ueji, Brasília (DF).

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